O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instituído pela Emenda Constitucional n.º 45/2004, tem como missão o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, bem como o zelo pela autonomia e pela eficiência da prestação jurisdicional. Para alcançar esses objetivos, o CNJ estabelece anualmente um conjunto de metas que norteiam a atuação dos tribunais e conselhos de justiça em todo o país. As Metas Nacionais do Poder Judiciário representam um compromisso público com a melhoria contínua da gestão e da efetividade da justiça, impactando diretamente o trabalho de juízes, defensores, promotores, procuradores e auditores.
Este artigo destrincha as Metas do CNJ, com foco nas diretrizes estabelecidas para o período de 2021 a 2026, analisando sua fundamentação legal, a importância de seu cumprimento e como os profissionais do setor público podem se alinhar a esses objetivos para otimizar a prestação jurisdicional.
A Fundamentação Legal das Metas do CNJ
A competência do CNJ para estabelecer metas e diretrizes estratégicas para o Poder Judiciário encontra amparo no artigo 103-B, § 4º, da Constituição Federal de 1988. Este dispositivo incumbe o Conselho de "zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou recomendar providências".
A Resolução CNJ n.º 325/2020, que instituiu a Estratégia Nacional do Poder Judiciário 2021-2026, consolida o arcabouço normativo que sustenta a formulação e o monitoramento das metas. Essa resolução define os macrodesafios do Judiciário, que se desdobram em metas nacionais e específicas para cada segmento da justiça (Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral e Militar).
A obrigatoriedade do cumprimento das metas é reforçada por provimentos da Corregedoria Nacional de Justiça, que monitoram o desempenho dos tribunais e podem instaurar procedimentos disciplinares em caso de descumprimento injustificado. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN - Lei Complementar n.º 35/1979) também estabelece deveres aos magistrados, como a celeridade e a eficiência, que estão intrinsecamente ligados ao alcance das metas.
As Metas Nacionais do Poder Judiciário (2021-2026)
A Estratégia Nacional 2021-2026 estabelece um conjunto de metas que buscam aprimorar a prestação jurisdicional, com foco na celeridade, eficiência, transparência e inovação. A seguir, destacamos as principais metas e seus impactos na atuação dos profissionais do setor público.
Meta 1: Julgar mais processos que os distribuídos
Esta meta visa reduzir o acervo processual, exigindo que os tribunais julguem um número maior de processos do que aqueles que ingressam no sistema. O objetivo é combater a morosidade e garantir a razoável duração do processo, princípio consagrado no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal.
Para alcançar essa meta, juízes e servidores devem buscar a otimização dos fluxos de trabalho, a utilização de ferramentas tecnológicas, como a inteligência artificial, e a adoção de práticas de gestão processual mais eficientes. O incentivo à conciliação e mediação, conforme o Código de Processo Civil (Lei n.º 13.105/2015), também é fundamental para reduzir o número de processos pendentes de julgamento.
Meta 2: Julgar processos mais antigos
A Meta 2 estabelece que os tribunais devem priorizar o julgamento dos processos mais antigos, garantindo a celeridade e a efetividade da justiça. O CNJ define prazos específicos para cada segmento da justiça, com o objetivo de zerar o estoque de processos que aguardam julgamento há muitos anos.
O cumprimento dessa meta exige um esforço concentrado dos magistrados, que devem priorizar a análise e o julgamento dos processos mais antigos em seus acervos. A utilização de ferramentas de gestão processual que identifiquem os processos prioritários é essencial para o sucesso dessa iniciativa.
Meta 3: Estimular a conciliação
A Meta 3 busca fomentar a cultura da pacificação social, incentivando a resolução consensual de conflitos. Os tribunais devem aumentar o índice de conciliação, promovendo a realização de audiências e a capacitação de conciliadores e mediadores.
A atuação de defensores, promotores e procuradores é crucial para o alcance dessa meta. A busca por acordos e a participação ativa em audiências de conciliação contribuem para a resolução rápida e pacífica dos litígios, desafogando o Judiciário e promovendo a satisfação das partes. O artigo 3º, § 3º, do Código de Processo Civil, impõe aos juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público o dever de estimular a conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos, inclusive no curso do processo judicial.
Meta 4: Priorizar o julgamento dos processos de crimes contra a Administração Pública, de improbidade administrativa e dos ilícitos eleitorais
A Meta 4 visa combater a corrupção e garantir a probidade administrativa, priorizando o julgamento de processos que envolvem crimes contra a Administração Pública, improbidade administrativa e ilícitos eleitorais.
A atuação diligente do Ministério Público na investigação e propositura de ações, bem como a celeridade do Judiciário no julgamento desses processos, são fundamentais para o sucesso dessa meta. A Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.º 8.429/1992), com as alterações promovidas pela Lei n.º 14.230/2021, exige maior rigor e agilidade na apuração e punição de atos de improbidade.
Meta 5: Reduzir a taxa de congestionamento
A taxa de congestionamento mede a proporção de processos não baixados em relação ao total de processos em tramitação. A Meta 5 estabelece que os tribunais devem reduzir essa taxa, demonstrando maior eficiência na gestão processual.
Para alcançar essa meta, é necessário investir na modernização da infraestrutura tecnológica, na capacitação de servidores e magistrados, e na implementação de práticas de gestão que otimizem os fluxos de trabalho. A adoção do Processo Judicial Eletrônico (PJe) e de outras ferramentas digitais é fundamental para a redução da taxa de congestionamento.
A Importância do Cumprimento das Metas
O cumprimento das metas do CNJ não é apenas uma obrigação administrativa, mas um compromisso com a sociedade. O alcance desses objetivos resulta em uma justiça mais rápida, eficiente e transparente, fortalecendo a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas.
Para os profissionais do setor público, o alinhamento com as metas do CNJ demonstra comprometimento com a excelência na prestação jurisdicional e contribui para o aprimoramento da gestão pública. O não cumprimento injustificado das metas pode acarretar sanções disciplinares e impactar negativamente a avaliação de desempenho de magistrados e servidores.
Orientações Práticas para o Alcance das Metas
O alcance das metas do CNJ exige um esforço conjunto e coordenado de todos os atores do sistema de justiça. A seguir, apresentamos algumas orientações práticas para auxiliar os profissionais do setor público nesse desafio:
- Conheça as Metas: Familiarize-se com as Metas Nacionais e específicas do seu segmento de justiça. Acompanhe os indicadores e os prazos estabelecidos pelo CNJ.
- Planejamento Estratégico: Participe da elaboração e execução do planejamento estratégico do seu tribunal ou órgão de atuação, alinhando as ações às metas do CNJ.
- Gestão Processual: Utilize ferramentas de gestão processual para identificar gargalos, priorizar processos e otimizar os fluxos de trabalho. Acompanhe os indicadores de desempenho e implemente medidas corretivas quando necessário.
- Incentivo à Conciliação: Promova a conciliação e a mediação como formas preferenciais de resolução de conflitos. Capacite-se em técnicas de negociação e mediação.
- Tecnologia: Utilize as ferramentas tecnológicas disponíveis, como o PJe e sistemas de inteligência artificial, para automatizar tarefas e agilizar a tramitação processual.
- Capacitação Contínua: Busque aprimoramento profissional constante, participando de cursos e treinamentos sobre gestão processual, inovação e resolução de conflitos.
- Trabalho em Equipe: Colabore com seus pares e com os demais atores do sistema de justiça para construir soluções conjuntas e alcançar as metas do CNJ.
Conclusão
As Metas do CNJ representam um instrumento fundamental para a modernização e o aprimoramento do Poder Judiciário brasileiro. O compromisso com o alcance desses objetivos é essencial para garantir a efetividade da prestação jurisdicional, a celeridade dos processos e a satisfação da sociedade. Ao alinhar sua atuação às metas do CNJ, os profissionais do setor público contribuem para a construção de uma justiça mais ágil, eficiente e transparente, fortalecendo o Estado Democrático de Direito. A busca constante pela excelência na gestão pública e o compromisso com a melhoria contínua são os pilares para o sucesso na implementação das diretrizes estratégicas do Conselho Nacional de Justiça.
Aviso: Este artigo tem caráter informativo e didático. Deve ser verificado e adaptado a cada caso concreto por profissional habilitado. Acesse minuta.tech para mais recursos.