Servidor Público

Concurso: Cessão e Requisição

Concurso: Cessão e Requisição — artigo completo sobre Servidor Público com fundamentação legal e jurisprudência atualizadas. Plataforma Minuta.Tech.

13 de junho de 20257 min de leitura

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Concurso: Cessão e Requisição

A mobilidade de servidores públicos é um tema recorrente na Administração Pública, gerando debates e exigindo um conhecimento aprofundado da legislação e jurisprudência para garantir a legalidade e eficiência na gestão de pessoas. Dois institutos que se destacam nesse cenário são a cessão e a requisição, frequentemente confundidos, mas com características e finalidades distintas. Compreender as nuances de cada um é fundamental para profissionais do setor público, como defensores, procuradores, promotores, juízes e auditores, que lidam diariamente com a gestão de recursos humanos e a aplicação do direito administrativo.

Este artigo detalha as diferenças entre cessão e requisição, explorando as bases legais, as normas aplicáveis e as implicações práticas de cada instituto, com base na legislação atualizada até 2026.

Cessão: A Transferência Temporária de Servidores

A cessão é um instituto que permite a transferência temporária de um servidor público de um órgão ou entidade para outro, com o objetivo de suprir necessidades específicas e temporárias de pessoal, sem que haja a perda do vínculo com o órgão de origem. A cessão é regulamentada pela Lei nº 8.112/1990, que instituiu o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das Autarquias e das Fundações Públicas Federais.

Fundamentação Legal da Cessão

A Lei nº 8.112/1990 estabelece as regras gerais para a cessão de servidores públicos federais. O artigo 93 da referida lei dispõe que a cessão pode ocorrer para:

  • Exercício de cargo em comissão ou função de confiança: A cessão para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança é a modalidade mais comum. Nesse caso, o servidor é cedido para exercer atribuições de direção, chefia ou assessoramento em outro órgão ou entidade, com remuneração correspondente ao cargo em comissão ou função de confiança.
  • Em casos previstos em leis específicas: A cessão também pode ocorrer em situações previstas em leis específicas, como a cessão para o exercício de mandato eletivo, para a Justiça Eleitoral, para o Tribunal do Júri, entre outras.

Requisitos e Condições para a Cessão

A cessão de servidores públicos federais deve observar alguns requisitos e condições:

  • Concordância do servidor: A cessão só pode ocorrer com a concordância do servidor, salvo nos casos previstos em lei.
  • Concordância do órgão ou entidade cedente: O órgão ou entidade de origem deve concordar com a cessão, avaliando a conveniência e oportunidade da medida.
  • Concordância do órgão ou entidade cessionário: O órgão ou entidade de destino deve concordar com a cessão, assumindo a responsabilidade pelo pagamento da remuneração e demais encargos do servidor cedido.
  • Prazo determinado: A cessão deve ter prazo determinado, não podendo ser superior a dois anos, prorrogável por igual período.
  • Pagamento da remuneração: A remuneração do servidor cedido deve ser paga pelo órgão ou entidade cessionário, salvo nos casos previstos em lei.

Jurisprudência e Normativas Relevantes

A jurisprudência dos tribunais superiores tem se manifestado sobre diversos aspectos da cessão de servidores públicos. O Supremo Tribunal Federal (STF), por exemplo, já decidiu que a cessão de servidores para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança não configura violação ao princípio do concurso público, desde que observados os requisitos legais e constitucionais (Súmula Vinculante nº 43).

No âmbito normativo, o Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Gestão e Desempenho de Pessoal (SGP), tem editado diversas instruções normativas para orientar os órgãos e entidades da Administração Pública Federal sobre a cessão de servidores, como a Instrução Normativa SGP/ME nº 1/2021, que estabelece os procedimentos para a cessão de servidores públicos federais.

Requisição: A Convocação de Servidores para Atender Necessidades Urgentes

A requisição é um instituto que permite a convocação de um servidor público para prestar serviços em outro órgão ou entidade, com o objetivo de atender a necessidades urgentes e inadiáveis, sem que haja a concordância do órgão ou entidade de origem. A requisição é regulamentada por diversas leis específicas, dependendo da natureza da necessidade e do órgão requisitante.

Fundamentação Legal da Requisição

A requisição de servidores públicos pode ocorrer em diversas situações, como:

  • Justiça Eleitoral: A Lei nº 4.737/1965 (Código Eleitoral) prevê a requisição de servidores públicos para auxiliar nos trabalhos da Justiça Eleitoral, como mesários, escrutinadores, entre outros.
  • Tribunal do Júri: O Código de Processo Penal (CPP) prevê a requisição de servidores públicos para atuar como jurados no Tribunal do Júri.
  • Calamidade Pública: A Lei nº 12.608/2012 (Política Nacional de Proteção e Defesa Civil) prevê a requisição de servidores públicos para atuar em situações de calamidade pública.
  • Defesa Nacional: A Lei nº 11.279/2006 (Dispõe sobre o ensino na Marinha) prevê a requisição de servidores públicos para atuar em situações de defesa nacional.

Requisitos e Condições para a Requisição

A requisição de servidores públicos deve observar alguns requisitos e condições, que variam de acordo com a lei específica que a autoriza:

  • Necessidade urgente e inadiável: A requisição só pode ocorrer para atender a necessidades urgentes e inadiáveis, que não possam ser supridas por outros meios.
  • Prazo determinado: A requisição deve ter prazo determinado, limitado ao período necessário para o atendimento da necessidade que a motivou.
  • Pagamento da remuneração: A remuneração do servidor requisitado deve ser paga pelo órgão ou entidade de origem, salvo nos casos previstos em lei.

Jurisprudência e Normativas Relevantes

A jurisprudência dos tribunais superiores tem se manifestado sobre diversos aspectos da requisição de servidores públicos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exemplo, já decidiu que a requisição de servidores públicos para atuar na Justiça Eleitoral é obrigatória, não cabendo ao órgão ou entidade de origem recusar a liberação do servidor (Resolução TSE nº 23.539/2017).

Cessão x Requisição: Diferenças Fundamentais

A principal diferença entre cessão e requisição reside na natureza da transferência do servidor. Na cessão, a transferência é voluntária, dependendo da concordância do servidor e do órgão ou entidade de origem. Na requisição, a transferência é compulsória, não dependendo da concordância do órgão ou entidade de origem, e, em alguns casos, nem mesmo da concordância do servidor.

Outra diferença importante diz respeito ao pagamento da remuneração. Na cessão, a remuneração é geralmente paga pelo órgão ou entidade cessionário. Na requisição, a remuneração é geralmente paga pelo órgão ou entidade de origem.

Orientações Práticas para a Gestão de Cessões e Requisições

A gestão de cessões e requisições exige atenção e cuidado por parte dos órgãos e entidades da Administração Pública, para garantir a legalidade e eficiência na utilização desses institutos. Algumas orientações práticas incluem:

  • Análise criteriosa dos pedidos: Os pedidos de cessão e requisição devem ser analisados de forma criteriosa, considerando a necessidade real da transferência, a disponibilidade de pessoal no órgão ou entidade de origem e os custos envolvidos.
  • Formalização dos atos: As cessões e requisições devem ser formalizadas por meio de atos administrativos, como portarias ou resoluções, que especifiquem os motivos da transferência, o prazo de duração, as condições de pagamento da remuneração e demais encargos.
  • Acompanhamento e controle: Os órgãos e entidades da Administração Pública devem manter um controle rigoroso das cessões e requisições, acompanhando o prazo de duração, o desempenho do servidor cedido ou requisitado e o cumprimento das obrigações assumidas pelas partes envolvidas.

Conclusão

A cessão e a requisição são instrumentos valiosos para a mobilidade de servidores públicos, permitindo à Administração Pública atender a necessidades específicas e urgentes de pessoal. No entanto, é fundamental compreender as diferenças entre os dois institutos e observar os requisitos e condições previstos na legislação, para garantir a legalidade e eficiência na gestão de pessoas. Profissionais do setor público devem estar familiarizados com as normas aplicáveis e as orientações jurisprudenciais sobre o tema, a fim de assegurar a correta aplicação da cessão e da requisição no âmbito da Administração Pública.


Aviso: Este artigo tem caráter informativo e didático. Deve ser verificado e adaptado a cada caso concreto por profissional habilitado. Acesse minuta.tech para mais recursos.

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