Direito Administrativo Público

Governança Pública: e Jurisprudência do STJ

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7 de julho de 20257 min de leitura

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Governança Pública: e Jurisprudência do STJ

A governança pública é um conceito fundamental para a administração pública moderna, buscando a eficiência, transparência, responsabilidade e participação cidadã na gestão dos recursos e serviços públicos. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem um papel crucial na interpretação e aplicação dos princípios da governança pública no Brasil, consolidando entendimentos e orientando a atuação dos agentes públicos.

A Evolução da Governança Pública no Brasil

A governança pública no Brasil tem evoluído significativamente nas últimas décadas, impulsionada por reformas administrativas, avanços tecnológicos e uma crescente demanda da sociedade por maior transparência e eficiência na gestão pública. A promulgação da Constituição Federal de 1988 estabeleceu princípios fundamentais para a administração pública, como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (Art. 37, CF/88), que servem de base para a governança pública.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000) representou um marco importante na consolidação da governança pública, estabelecendo normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. A Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) e a Lei de Inovação (Lei nº 10.973/2004) também contribuíram para a promoção da transparência e inovação na administração pública.

A Lei nº 13.303/2016, que dispõe sobre o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, estabeleceu regras mais rigorosas para a governança dessas entidades, buscando maior transparência e controle social.

Princípios da Governança Pública

A governança pública se baseia em princípios fundamentais que orientam a atuação dos agentes públicos e a gestão dos recursos públicos. Entre os principais princípios destacam-se.

Transparência e Acesso à Informação

A transparência é essencial para a governança pública, permitindo que a sociedade acompanhe e avalie a gestão dos recursos públicos. O acesso à informação, garantido pela Lei de Acesso à Informação, é um direito fundamental dos cidadãos e um instrumento importante para o controle social.

Responsabilidade e Prestação de Contas

A responsabilidade e a prestação de contas são pilares da governança pública. Os agentes públicos devem atuar com responsabilidade, zelando pelos recursos públicos e prestando contas de suas ações à sociedade e aos órgãos de controle. A Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992) estabelece sanções para agentes públicos que pratiquem atos de improbidade.

Eficiência e Eficácia

A eficiência e a eficácia são princípios fundamentais para a governança pública, buscando otimizar a alocação de recursos e alcançar os resultados esperados de forma eficiente e eficaz. A avaliação de políticas públicas e a gestão por resultados são ferramentas importantes para a promoção da eficiência e eficácia na administração pública.

Participação Cidadã

A participação cidadã é um elemento essencial para a governança pública, permitindo que a sociedade participe ativamente na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. A participação cidadã pode ocorrer por meio de conselhos, audiências públicas, consultas públicas e outros mecanismos de participação social.

A Jurisprudência do STJ e a Governança Pública

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem um papel fundamental na interpretação e aplicação dos princípios da governança pública no Brasil. O STJ tem consolidado entendimentos e orientado a atuação dos agentes públicos em diversas áreas, como licitações, contratos administrativos, improbidade administrativa e responsabilidade civil do Estado.

Licitações e Contratos Administrativos

O STJ tem se manifestado sobre diversos aspectos das licitações e contratos administrativos, buscando garantir a transparência, a competitividade e a eficiência na contratação pública. A Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que a administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos, tem sido aplicada pelo STJ em casos de irregularidades em licitações e contratos administrativos.

Improbidade Administrativa

O STJ tem consolidado entendimentos sobre a Lei de Improbidade Administrativa, buscando garantir a punição de agentes públicos que pratiquem atos de improbidade, mas também evitando a criminalização de condutas meramente irregulares. A Súmula nº 431 do STJ estabelece que é ilegal a cobrança de IPTU sobre imóvel de propriedade da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de suas respectivas autarquias e fundações, quando o imóvel estiver afetado ao serviço público.

Responsabilidade Civil do Estado

O STJ tem se manifestado sobre a responsabilidade civil do Estado, buscando garantir a reparação de danos causados a terceiros por agentes públicos no exercício de suas funções. A Súmula nº 341 do STF, que estabelece que é presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto, tem sido aplicada pelo STJ em casos de responsabilidade civil do Estado.

Orientações Práticas para a Governança Pública

A governança pública exige a adoção de práticas e ferramentas que promovam a transparência, a responsabilidade, a eficiência e a participação cidadã na gestão dos recursos públicos. Algumas orientações práticas para a governança pública incluem.

Implementação de Sistemas de Controle Interno

A implementação de sistemas de controle interno é essencial para a governança pública, permitindo que a administração pública monitore e avalie a gestão dos recursos públicos de forma contínua e sistemática. O controle interno deve abranger todas as áreas da administração pública, desde a arrecadaação de receitas até a execução de despesas.

Promoção da Transparência e Acesso à Informação

A promoção da transparência e acesso à informação é fundamental para a governança pública. A administração pública deve disponibilizar informações claras, precisas e atualizadas sobre a gestão dos recursos públicos, facilitando o acesso da sociedade a essas informações. A criação de portais de transparência e a disponibilização de dados abertos são ferramentas importantes para a promoção da transparência.

Fortalecimento da Participação Cidadã

O fortalecimento da participação cidadã é essencial para a governança pública, permitindo que a sociedade participe ativamente na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas. A administração pública deve criar mecanismos de participação social, como conselhos, audiências públicas e consultas públicas, garantindo que a voz da sociedade seja ouvida e considerada na tomada de decisões.

Capacitação de Agentes Públicos

A capacitação de agentes públicos é fundamental para a governança pública, garantindo que os agentes públicos tenham os conhecimentos e habilidades necessários para atuar de forma eficiente, responsável e transparente. A administração pública deve investir na capacitação de seus servidores, promovendo cursos, treinamentos e programas de desenvolvimento profissional.

Conclusão

A governança pública é um desafio contínuo para a administração pública brasileira, exigindo a adoção de práticas e ferramentas que promovam a transparência, a responsabilidade, a eficiência e a participação cidadã na gestão dos recursos públicos. A jurisprudência do STJ tem um papel fundamental na consolidação de entendimentos e na orientação da atuação dos agentes públicos, contribuindo para a construção de uma administração pública mais eficiente, transparente e responsável. A implementação de sistemas de controle interno, a promoção da transparência e acesso à informação, o fortalecimento da participação cidadã e a capacitação de agentes públicos são medidas essenciais para a melhoria da governança pública no Brasil. A busca contínua pela excelência na gestão pública é fundamental para garantir a prestação de serviços públicos de qualidade e o desenvolvimento sustentável do país.


Aviso: Este artigo tem caráter informativo e didático. Deve ser verificado e adaptado a cada caso concreto por profissional habilitado. Acesse minuta.tech para mais recursos.

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